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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Quarta-feira, 15 de setembro de 2010

16h27. Céu limpo: 28ºC

Há dias não escrevo aqui, fiquei um tempo sem tempo e um tempo sem inspiração. Do último texto para cá aconteceu a viagem, que foi ótima, relaxei e esqueci um pouco alguns problemas, uma mudança aqui e ali na forma de pensar.

Mas o que mais "pesou" nesse tempo em que eu não escrevi foi uma folga, uma folga que aproveitei para relembrar fatos marcantes da minha vida, eu praticamente redescobri caminhos que fazia na minha infância e refiz esses caminhos, não foi fácil, nem todas as ruas, nem todas as encruzilhadas e nem todas as esquinas são as mesmas. As pessoas mudam, os lugares mudam e em certos momentos em que nos baseamos nas lembranças até os caminhos mudam.

Quando crescemos parece que o mundo diminui, uma longa distância que parecia uma jornada até uma terra desconhecida se torna um caminho de uma hora até um bairro distante, mas não tão desconhecido assim. Você nota que 14 anos atrás alguns lugares eram grandes mistérios simplesmente pelo fato de você não conhecer o caminho exato até eles, de você não poder ir até eles sozinho e de você não prestar atenção no caminho e sim nos detalhes. Isso é interessante: quando você é criança não presta atenção no caminho que percorre, não presta atenção nas ruas, nos nomes, nos bairros, presta atenção nos detalhes, nas praças, nas curvas, no inusitado que passa desapercebido para quem cresceu e perdeu o coração.

Os detalhes podem ser perigosos, quase tudo muda, alguns detalhes também e quando isso acontece você pode não lembrar o caminho, você pode não ter o guia, a referência, mas quem se guia pelos detalhes ou quem só se lembra dos detalhes tem uma grande vantagem, a vantagem de poder chegar ao destino tendo que se lembrar apenas de um ou dois pontos.

Mas além do caminho e dos detalhes há também as lembranças e elas muitas vezes podem substituir os dois outros itens, um momento em um local, uma passagem, uma pessoa que você viu e que marcou sua vida...

Lançando um olhar profundo sobre minha vida, sobre o que passei acho que posso me lembrar de caminhos longos apenas por uma lembrança.

É bom tentar fugir de problemas presentes lançando-se em caminhos passados, mas isso é tão funcional quanto uma droga, você tem um prazer imediato, mas quando retorna e nota que aquilo acabou e que a única coisa que você tem no momento é o presente fica furioso, volta e faz outro caminho passado e esse círculo te corrói, te torna escravo dele, tão logo terminou um caminho e já tem que refazer outro e quando volta os problemas do presente novamente te afligem e você, fraco, desanimado e desprovido de coragem lança-se novamente ao passado.

O retorno ao passado é bom e deve acontecer, é um meio de esquecer os problemas, mas não deve ser o único, a melhor maneira de esquecer um problema é eliminá-lo e a melhor maneira de fazer isso é enfrentando o problema e o combatendo.

Como dizia Forrest Gump: "A vida é como uma caixa de bobons... Você nunca sabe o que vai encontrar."

Não deixe que um bombom que você não gosta te deixe zangado ou triste, não fique pensando no último bombom que abriu e em como você gostou do sabor, abra o próximo!

domingo, 8 de agosto de 2010

Domingo, 8 de agosto de 2010

15h55. Céu Limpo: 28ºC

Querido diário, hoje é domingo, o dia está ensolarado e a temperatura que a primeira fonte que Google me indica mostra é 28ºC, o que não é ruim se somado a esse vento fresco e a toda Coca-cola que já tomei desde cedo.

Apesar de amanhã a vida voltar a ser desgastante ao extremo me sinto bem, hoje terminei de assistir "Clube da Luta", com todas as suas mensagens subliminares e explicações científicas, achei o filme um tanto exagerado e não é pelo fato que ocorre no fim, a história é interessante e o final não é de todo ruim, mas há muito fatos que se amontoam durante o desenrolar da história, o que confunde as pessoas não a ponto delas quererem decifrar o mistério do filme, mas a ponto delas dizerem "Não vou continuar assistindo, não gostei, não estou entendendo nada!", a maioria delas pensa assim, não eu, eu entendi perfeitamente, se me perguntarem sobre o filme eu com certeza direi "Eu gostei, é um filme legal, mas você tem que prestar muita atenção pra entender", essa última parte "...você tem que prestar muita atenção..." na verdade é um código para "Você provavelmente não vai entender o filme", mas quando eu sugiro um filme assim as pessoas assistem, não entendem, pensam que entenderam e acabam gostando pelos tiros, explosões, pelas lutas, cenas de computação gráfica e acabam tomando a última parte como um "é bem legal, tem explosões e tiros e lutas e muito sangue!". Sabe, não quero parecer arrogante, não gosto de parecer arrogante, mas é que eu adoro assistir seriados e filmes e não assisto por assistir, faço disso uma arte, eu presto atenção, eu vejo, eu ouço, eu sinto o filme, eu incorporo as personagens, está em mim "viver" a história que acompanho e a maioria das pessoas não fazem isso, por exemplo, muitas das pessoas procurariam esse filme por conta do nome "Clube da Luta" imaginando que provavelmente haverá lutas, sangue e - talvez - explosões e há tudo isso no filme mesmo.

As pessoas são preguiçosas, não todas, mas a maioria, então: por que procurar um filme com intenção de entender a filosofia por trás dele quando posso simplesmente curtir explosões e lutas e tiroteios e sexo e muita computação gráfica? Uma prova de que as pessoas em sua maioria não se esforçam para entender os filmes pode ser notada perguntando para pessoas que assistiram o filme: "O que você achou de o personagem principal ser esquizofrênico?", muitas delas vão olhar pra você e responder: "Ãh?!". Isso pra mim já prova muito da minha "teoria da preguiça humana em entender o mundo".

Sempre que começo escrever algo sobre mim acabo com uma tese ou uma discussão filosófica sobre alguma coisa, isto está em mim, eu gosto de pensar, fazer o que?

Vou procurar escrever diariamente aqui, aqui eu não preciso me preocupar com textos gigantes e vocabulários loucos comigo mesmo, que para pessoas "normais" podem parecer esquizofrênicos, eu sei que estou falando com um "diário", sei que no fundo estou falando comigo mesmo, mas não vou dizer que não tenho a intenção de mostrar o que penso para outras pessoas, não vou dizer que não quero que ninguém leia isso, isso é um diário, na teoria era pra ser pessoal e é, mas se não quisesse compartilhar isso com ninguém não ia escolher criar um "diário on-line" ia comprar um caderno ou agenda ou diário e escrever nele. Sei lá, acho meio sem sentido escrever algo que ninguém além de mim vai ler, ou escrever algo e não dar a chance de ler a ninguém, isso faz parte da minha maneira de pensar, me sentiria um idiota se escrevesse algo e não mostrasse a ninguém, seria... negar ao mundo algo que fiz num momento de inspiração.

Outra coisa estranha comigo: sempre que escrevo tem que haver algo de sonhos ou de desejos nisso, neste exato momento estou usando fones de ouvido e vou escutar uma música. "Other side of this life", do Fred Neil, a primeira vez que ouvi essa música foi no filme "Lost Junction" numa cena em que um dos protagonistas está num conversível azul claro numa estrada no meio do deserto, é isso que essa música me faz sentir: liberdade! Me sinto viajando num carro, com a capota aberta, numa estrada, estou dirigindo, o vento bate em meus cabelos, meus óculos escuros e minha camisa leve... Isso é bom, essa sensação de liberdade me faz sentir bem, cada música é uma sensação e cada filme é uma porção delas.

Acho que meu prazer em pensar, que resulta no meu êxito em criar situações e histórias, me presenteia com esse poder de criar situações, não importa onde eu esteja, situações em que eu gostaria de estar em corpo, minha mente está lá, eu crio o que precisar, o que quiser, quando eu quiser. Esse é meu prêmio: eu me esforço para pensar e em troca posso estar onde quiser, quem tem preguiça de pensar não tem esse poder de criação e não pode estar onde quiser quando quiser.

Seja bem vindo ao meu mundo, onde crio o que quiser, onde vivo o que quiser, onde ninguém pode me perturbar, onde há estradas, caminhos, trigais, jardins, onde há o que eu quiser que haja. Não é mágica, é imaginação, tente também, imagine, não se acanhe, pense no que quer, pense no lugar onde quer estar, qualquer um pode, basta querer.

Vienna é quem você quer que ela seja e está onde você quer que ela esteja.
Vienna espera por você.

Aproveite!